Logística Reversa: O que é, como planejar e como controlar

Tendo em vista que todos os produtos estão sujeitos ao descarte, fica evidente que a vida dos mesmos, do ponto de vista logístico, não se finda com sua entrega ao cliente. Neste contexto, Lacerda define logística reversa como:

O processo de planejamento, implementação e controle do fluxo de matérias-primas, estoque em processo e produtos acabados (e seu fluxo de informação) do ponto de consumo até o ponto de origem, com o objetivo de recapturar valor ou realizar um descarte adequado. (LACERDA, 2009, p. 2).

Por meio do processo de logística reversa, as empresas conseguem desenvolver materiais reaproveitados que podem voltar ao fluxo de produção. Esse processo consiste basicamente em, através de um acordo prévio, coletar, separar, embalar e expedir itens usados ou danificados, dos pontos de consumo até os locais de reprocessamento, revenda ou descarte.

Produtos e embalagens recebem tratamentos diferentes. Para os produtos, os fluxos de logística reversa acontecem mediante a necessidade de reparo, reciclagem, ou porque simplesmente os clientes os retornam. No caso das embalagens, alvo da pesquisa, os fluxos se dão em função da sua reutilização ou descarte. Embalagens retornáveis, geralmente, possuem custos maiores que as demais. Entretanto, quanto maior o número de vezes que é usada, menor o custo por viagem que, por sua vez, tende a ficar menor que o custo da embalagem não retornável. (LACERDA, 2009).

De acordo com Lacerda (2009), a eficiência do processo de logística reversa depende de como ele é planejado e controlado. Para tanto, alguns fatores críticos foram identificados para contribuir com o seu desempenho:

a) bons controles de entrada – no início do processo de logística reversa é necessário identificar corretamente o estado dos materiais que retornam para que estes possam seguir o fluxo reverso correto ou mesmo impedir que materiais que não devam entrar no fluxo o façam. Bons controles de entradas são alcançados com treinamento de pessoal e pode ser fonte de confiança entre clientes e fornecedores;

b) processos padronizados e mapeados – uma das maiores dificuldades na logística reversa é eu ela é tratada como um processo esporádico e não regular. Ter processos corretamente mapeados e procedimentos formalizados é condição fundamental para se obter controle e conseguir melhorias;

c) tempo de ciclo reduzido – o tempo de identificação da necessidade de reciclagem, disposição ou retorno das embalagens e seu efetivo processamento não devem ser longos. Caso contrário adicionarão custos desnecessários porque atrasam a geração de caixa e ocupam espaço, dentre outros aspectos;

d) sistema de informação acurado – a capacidade de rastreamento de retornos, medição dos tempos de ciclo e do desempenho de fornecedores permite obter informações cruciais para negociações, melhoria de desempenho e identificação de abusos dos consumidores no retorno de embalagens;

e) rede logística planejada – a implementação de processos logísticos reversos requer a definição de uma infraestrutura logística adequada para lidar com os fluxos de saída de materiais processados. Instalações de processamento e armazenagem e sistemas de transporte devem ser desenvolvidos para ligar de forma eficiente os pontos de consumo onde os materiais usados devem ser coletados até as instalações onde serão utilizados no futuro;

f) relações colaborativas entre clientes e fornecedores – práticas avançadas de logística reversa só poderão ser implementadas se as organizações envolvidas desenvolverem relações mais colaborativas e de confiança, evitando assim, abusos provenientes de ambas as partes.

Fontes:

LACERDA, Leonardo. Logística reversa: uma visão sobre os conceitos básicos e as práticas operacionais. Rio de Janeiro, 2009. Disponível em: http://www.sargas.com.br/site/artigos_pdf/artigo_logistica_reversa_leonardo_lacerda.pdf. Acesso em: 06 abr. 2012

Texto enviado pela colaboradora Rebeca Maia, Bacharela em Administração com linha de formação específica em Comércio Exterior pela PUC-MG e Graduanda em Jornalismo pela UniBH.

Sobre Alex Oliveira

Graduado em Comércio Exterior e Técnico em Informática.
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